O ouvir, ah, ouvir...
Tenho pensado que tanto quanto para ler pensamentos, ouvir seria ainda melhor se houvesse um filtro deixando passar somente o que as crianças dizem quando sentamo-nos juntos à elas para conversar, ou com os idosos e às músicas. Penso que às cordas vocais deveria ser aplicada a mesma educação que damos a outras partes do corpo, tais como ao ânus. Neste caso, muitas palavras não sairiam do falatário, um lugar pequeno, á prova de som, com banco e um espelho, falando lá, se as palavras saíssem desagradáveis, agressivas ou fedorentas, nos absteríamos de obrigar os outros a conhecê-las.
Enquanto isso não seja possível, vamos juntando estes resíduos da mente alheia, como pedras, e construindo com elas uma resistência tão grande, que possamos encará-las como expressões infantis de crianças mal criadas, que um dia amadurecerão e sentirão vergonha das próprias peraltices.
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